Estudo aponta que Tocantins tem o maior número de políticos indiciados por crime eleitoral
De acordo com um estudo divulgado pelo Jornal Folha de S.Paulo nesse domingo, 18, nos últimos quatro anos a Polícia Federal abriu mais de 20 mil inquéritos em todo o país para apurar crimes relacionados às eleições. O Estado do Rio de Janeiro lidera esse estudo com mais de mais de 3.400 investigações da Polícia Federal para apurar delitos como compra de votos, caixa dois, inscrição e transporte irregular de eleitores e boca de urna. O Tocantins aparece em 9º lugar entre as 27 unidades federativas.
Contudo, o maior número de inquéritos e indiciamentos por crimes eleitorais ocorreu no Tocantins. De acordo com a Folha, 841 casos nos últimos quatro anos. O jornal recorda que o Estado teve um governador cassado pela Justiça Eleitoral - Marcelo Miranda (PMDB) - por abuso de poder econômico e político ao usar a máquina do Estado para se reeleger, em 2006.
Demais Estados
Em segundo lugar no ranking de investigações está o Estado de Minas Gerais, segundo maior Estado em número de eleitores e onde a PF abriu 1.912 inquéritos nos últimos quatro anos.
O Estado de São Paulo, onde se concentra 22% do eleitorado, o maior do país, vem logo abaixo, na terceira posição, quase empatado com o Rio Grande do Norte, que tem 1,6% do eleitorado do país e que é o caso mais representativo do Nordeste.
O principal crime, considerado o mais grave para procuradores, juízes federais e policiais ouvidos pela, é a compra de votos. Em seguida, dentre os delitos mais investigados pela PF, está o cadastramento irregular de eleitores, prática que é mais comum durante as eleições municipais.
"A compra de votos é um reflexo da falta de credibilidade e desesperança da população com os políticos", diz Sandra Cureau, vice-procuradora-geral eleitoral.
O balanço da Polícia Federal deve ser uma das ferramentas para tentar diminuir, no pleito deste ano, a ocorrência desses delitos.
A Polícia Federal, responsável por investigar crimes eleitorais, o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral deverão atuar em conjunto um convênio entre esses órgãos ainda deve ser formalizado.
Segundo a Folha apurou, o esforço é para tentar obter provas e propor ações antes da diplomação dos políticos, e não depois, durante a vigência do mandato, o que dificulta a punição.